mostre me sua cozinha que eu lhe direi quem és

O fotógrafo Erik Klein Wolterink visitou várias casas em Amsterdam e registrou a anatomia dos armários de várias cozinhas.

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Olha só, cada um se entende na sua “bagunça” né?

Achei muito divertido.

 

só falta falar

Terry Border é americano e formado em Fine Art Photography. Trabalhou muitos anos como fotógrafo e começou a fazer escultura de arame como um hobby. Os aramos foram ganhando mais espaço em sua vida, começou a fazer mobiles e expor em pequenas galerias.

Terry é daqueles caras que conseguem fazer o mais difícil: tranformar uma idéia simples em um trabalho incrível. De acordo com sua própria descrição ele é não é artista, mas um arteest*  – “Not an artist, but an arteest.”

*Arteest = O artista que não leva nada nem ninguém a sério, nem eles mesmos. Usam o humor a paródia em suas artes. O oposto de artista.

A série Bent Objects consiste em dar vida a “objetos comuns”, fazer com que o que todas aquelas coisinhas que nos cercam no dia-a-dia se transformem em seres com idéias, opinião e uma mensagem (muitas vezes críticas) para passar. Suas fotos trabalham com o humor e ironia, fazendo com que alimentos e objetos banais consigam em apenas um frame contar toda uma história.

Sobre essa série Terry diz “I always knew that my weird point of view was my gift or perhaps curse, so I’m glad I finally found a use for it.” ( “Eu sempre soube que meu ponto de vista esquisito era um dom ou talvez uma maldição, então estou satisfeito que finalmente achei uma utilidade para isso.”)


Esquisito, inteligente e incrível.

Eu selecionei só algumas peças, o trabalho de Terry é realmente bacana e tem muito mais para ver.

Site oficial: www.terryborder.com

Chocolate Camera

Gracinhas essas câmeras digitais da que se parecem com uma barrinha de chocolate, acabaram de entrar para a minha listinha “eu quero agora!”

Uma fofura, a câmera é bem simples mas completinha, custa $40 na Four Corner Store.

Não sei se alguém se lembra, mas já postei há um tempinho uma câmera em formato de biscoito, também uma graça!

aroma

Meu nariz traz com ele lembranças que muitas vezes o resto do corpo achava ter esquecido. Dia desses, tomando um café na mesa da rua, senti um cheiro de Buenos Aires. Não era o café, nem a rua, nem o calor. Era tudo isso junto e mais alguma coisa que, por um segundo, trouxe a lembrança incontestável de caminhar pela Avenida Santa Fé no verão escaldante. Meu nariz adora associar cidades aos aromas. Associações essas que geralmente não sei explicar.

Outras lembranças olfativas são bem mais claras. Guardo nas narinas memórias aromatizadas da infância. O milho cozido. É sempre uma esquizofrenia quando passo pelos carrinhos de milho, tão paulistanos, e o nariz avisa certeiro: cheiro de “Água Mineral”, o clube que minha família frequentava há uns vinte anos atrás quando eu não sabia que São Paulo existia e nem todo o resto do mundo. Passávamos a manhã toda nadando, correndo em volta da piscina, pulando, gritando e tudo mais que uma criança saudável faz pra gastar energia. Quando a fome começava a apertar e ainda faltava muito para a hora do almoço, a criançada pegava uns trocados e corria para a fila do milho. Vinha uma espiga fumegante enrolada na palha e a gente passava a manteiga que ficava em potes no balcão. É uma lembrança nítida que carrego na ponta do nariz.

Café coado lembra minha mãe, cuzcuz de milho lembra o meu pai, churrasco lembra fim de semana, dama da noite lembra verão, manga e cajú lembram a casa que cresci, e por aí vai.

No nariz também carrego a lembrança de diferentes períodos da vida. Senti um cheiro outro dia que me levou para o meu primeiro endereço depois que saí da casa dos meus pais. O aroma, que de alguma forma me lembrava àquele apartamento, desenterrou da memória uma série de experiências, sensações e estado de espírito daquele momento. Era algo como hamburguer com miojo de galinha e suco de pêssego de caixinha. Esse era o maior hit da minha cozinha naqueles tempos.

As narinas também guardam em algum canto o cheiro dos amores que muitas vezes já esqueci. Nunca os perfumes, mas o cheiro de cada um que se concentra atrás da orelha, o aroma do hálito, do suor, ou da roupa usada. Esses ficam lá, adormecidos, e quase nunca voltam a ser lembrados, mas sei que estão lá.

Texto aromático da jornalista Clarissa Amorim

Foto de David Zilber